Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

Editorial de 30 de Julho de 2010

Nem para comer. O ano lectivo já terminou há quase um mês e o Estado português, neste caso a Direcção Regional de Educação do Norte, ainda não pagou as refeições dos alunos do ensino pré-escolar, referentes ao segundo e terceiro períodos. É o maior atraso de sempre no pagamento das refeições do pré-escolar. O dinheiro que vem do Estado através da DREN é transferido para as câmaras municipais que, por sua vez, canalizam-no para as juntas de freguesia. É a estas que cabe pagar as despesas com as refeições destes estabelecimentos de ensino. Há juntas que já são credoras em mais de 70 mil euros. Há presidentes de junta que têm que pôr dinheiro do próprio bolso para pagar os ordenados às cozinheiras. Quando o próprio Estado não cumpre com a mais elementar das obrigações, que é garantir os ordenado a quem trabalha para o Estado, algo vai muito mal.

 

Saber estar. Um homem foi ter com um amigo que vendia castanhas junto a um banco. Quando lá chegou pediu-lhe dez euros em prestados. O vendedor, que já conhecia a fama do amigo e que tinha a certeza de que este não pagava, disse-lhe: “Não te posso emprestar o dinheiro”. “Então porquê?”- perguntou o amigo. “É que para vender aqui à porta do banco fiz um acordo com eles. Nem eles vendem castanhas, nem eu empresto dinheiro”. 

 

Esta anedota vem a propósito da última Assembleia Municipal de Paredes. Com ausência de Celso Ferreira e Pedro Mendes, coube a Raquel Moreira da Silva a representação da câmara municipal naquela assembleia. Coincidência ou não, o chefe de gabinete de Celso Ferreira resolveu ocupar o lugar de deputado municipal que havia suspendido no início do mandato. Durante a reunião tivemos um presidente da assembleia a tentar manipular as intervenções da vereadora Raquel Moreira da Silva, o deputado municipal Luciano Gomes a pôr-se em bicos e a tentar substituir Celso Ferreira. Na fotografia final, apenas Raquel Silva sai bem. Mostrou ao seu PSD que o lugar de vereadora não lhe saiu num pacote de batatas fritas. Está lá por mérito próprio.

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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Eles gostam de ingerir

A política lida com um valor que é muito cobiçado: o poder. O poder contém atributos sociais sempre associados, como o status, o prestígio social, as oportunidades de negócio, a condição de celebridade, a capacidade de fazer valer a sua vontade sobre os outros, para citar apenas os mais óbvios.

 

A politica, portanto, e o poder que dentro dela e por meio dela se conquista, atrai bajuladores para os seus círculos, da mesma forma que a luz numa noite de verão atrai as melgas. Para a maioria, a bajulação e o elogio, são o caminho mais curto e seguro para chegar ao coração de quem lida com poder. Na política autárquica a bajulação e a adulação imperam.

 

Não há como ignorar que são os políticos que geram os aduladores. Fossem eles mais resistentes e indiferentes às adulações e elas não seriam praticadas com tanta frequência. São porque, por certo, produzem os resultados desejados.

 

Um autarca prudente sabe que a maioria dos elogios que recebe são falsos. O Cardeal Mazarin, sucessor de Richelieu na Corte Francesa dizia que: «O governante prudente deve escolher homens sábios, que dele tenham permissão de dizer a verdade, mas somente a respeito daquilo que lhes é perguntado. (…) O governante deve aconselhar-se sempre, mas somente quando o deseje e não quando os outros queiram. Convém que se lhes tire o hábito de dar conselhos que não foram solicitados.»

 

 Cuidado, pois, com os elogios. Eles embriagam o espírito crítico. Além disso a equação – de 15 elogios, 14 são falsos – é sempre uma valiosa lembrança. Pode até parecer exagerada, mas está no caminho da realidade.

 

A bajulação e a adulação são um doce veneno que os políticos gostam de ingerir.

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Domingo, 25 de Julho de 2010

Um dia na vida de Manuel Barbosa Leão: Coleccionador de garrafas em miniatura

Esta madrugada, um incêndio na Casa do Fundo, em Parada de Todeia, Paredes, fez duas vítimas mortais: Fausto e Manuel Leão. Conhecia os dois desde criança.

 

A casa que foi construída no início do Sec. XVII e pertenceu ao bispo D. António Barbosa Leão. O mobiliário e a maioria dos livros da biblioteca eram da data da fundação. Esta noite, o fogo destruiu tudo.

 

Deixo-vos um texto publicado no Verdadeiro Olhar sobre a vida do coleccionar e proprietário da casa, Manuel Barbosa Leão.

 

  

Um dia na vida de Manuel Barbosa Leão: Coleccionador de garrafas em miniatura

 

Um dos principais impulsionadores do coleccionismo em Portugal é natural de Paredes. Manuel Barbosa Leão, 68 anos, nasceu e reside em Parada de Todeia e ainda hoje figura entre os maiores coleccionadores nacionais de garrafas em miniatura. Possui mais de três mil exemplares, segundo registos de 2003, altura em que a doença o atirou para a cama do hospital e quase o venceu. De então para cá, nunca mais acertou as contas da colecção, e limita as suas participações aos encontros a norte.

 

 Foto: Verdadeiro Olhar

“Leão do Norte”

 

Longe vão os tempos dos primeiros encontros, na altura conhecidos por Feira de Trocas. O primeiro data de 1980 e realizou-se a título experimental na Praça de Camões, em Lisboa, por iniciativa da Rádio Renascença (RR). Manuel Barbosa Leão foi um dos participantes, e acabou mesmo por ser entrevistado pelos repórteres de rua da RR, na altura Fernando Almeida e Carneiro Gomes, uma situação que viria a repetir-se ao longo dos anos. Artur Agostinho – precisa sem hesitar – era o locutor em estúdio a quem o paredense terá manifestado discordância pelo nome da iniciativa. “Feira de Trocas soava-me a comércio, quando na realidade o que prevalecia eram as trocas”, recordou, admitindo ter conseguido tudo aquilo por que se bateu.

 

“A iniciativa passou a chamar-se “Encontro de Coleccionadores” e, mais tarde, “Encontro de Coleccionadores Nacionais”; consegui alargar os locais da sua realização, então limitados a Lisboa e ao Porto, e promovi, numa edição descentralizada em Rio Maior, o primeiro Congresso de coleccionadores”. Esteve sempre na linha da frente e liderou diversas iniciativas, como encontros, homenagens ou confraternizações, com a vantagem de todos concordarem: “Em Lisboa conheciam-me por “Leão do Norte” e a verdade é que o que dissesse era lei”.

 

Mais de 100 encontros

 

Outros tempos. Manuel Barbosa Leão contabiliza mais de uma centena de participações em encontros por todo o país, mantendo o contacto com parte dos primeiros coleccionadores. E a todos conhece, até um bizarro coleccionador de penicos, mas desacelerou nestas lides.

 

Limita as presenças aos encontros a norte, que frequenta “de vez em quando”, sempre que arranja alguém para ficar com a irmã e o cunhado com quem vive. “A idade e a saúde já não ajudam; a minha colecção é feita mais devagarinho”, precisou.

 

Assim se explica o interregno com cerca de cinco anos no registo das garrafas. Diz faltar-lhe disposição para acertar as contas, que à data ultrapassavam os três mil exemplares, e paciência para as anotações todas relativas às suas características. Isso inclui indicações precisas sobre a altura, o diâmetro, o rótulo e seus dizeres. Ou a rolha.

 

Influência da afilhada

 

Hoje admite que nunca pensou ser coleccionador, apesar de “sempre” ter revelado “simpatia” por garrafas pequenas. Recebeu as primeiras com sete ou oito anos, de uns amigos dos pais da Real Vinícola, mas só lhe tomou o gosto na adolescência. Via e comprava. Adquiriu muitos exemplares em Espanha, sobretudo no Norte, que conheceu de lés a lés, mas o “grande impulso” foi dado pela afilhada, que insistentemente lhe pedia para escrever ao programa de coleccionismo que a RR tinha criado. À terceira foi de vez, e a partir daí o gerente comercial e decorador na Casa Damaneto, no Porto, começou a receber cartas umas atrás das outras.

 

Começou a trocar garrafas, que juntava às que lhe ofereciam e ia adquirindo. “Algumas são únicas”, sobretudo as que conseguia arranjar nas tascas. No início ainda anotou o dinheiro que investia e o preço das garrafas, mas cedo se deixou disso, apressou-se a explicar, antecipando a curiosidade do Verdadeiro Olhar. “Sempre lhe digo que cheguei a comprar garrafas por três contos, mas também já recusei ofertas de centenas de contos por algumas”, referiu.

 

Esclareceu ainda que a colecção ficará um dia à guarda dos sobrinhos no caso de estes pretenderem dar-lhe continuidade; outra qualquer intenção implicará a sua doação, conforme consta em testamento.

 

 

Descendência real

 

É o mais novo de sete irmãos e o actual proprietário da Casa do Fundo, outrora pertencente ao seu tio-avô e bispo D. António Barbosa Leão. A propriedade data de 1625 e só por duas vezes foi objecto de reformas: em 1737 e, mais recentemente, em 1906. O mobiliário é do tempo da sua fundação, tal como alguns dos livros depositados na biblioteca da casa. Manuel Barbosa Leão estudou e foi educado no seminário Diocesano do Porto, tendo sido por duas vezes premiado como melhor aluno. Segundo a árvore genealógica da sua família descende da família real portuguesa, através da Casa dos Duques de Bragança, fundada em Vila Viçosa por D. João I, e de D. Nuno Álvares Pereira, conhecido como Santo Condestável.

 

 

Estórias com história

 

* Um certo dia levou uma garrafa às Caves Ferreirinha para determinar a sua idade. Quando lá regressou para levantar o exemplar, foi informado que o mesmo teria mais de 80 anos. E nada mais. Isto é: foi-lhe também apresentada uma proposta de compra a rondar os 1500 euros, motivada pelo facto de a Companhia não ter guardado um exemplar da garrafa que uns anos antes lançara no mercado. Manuel Barbosa Leão assegura que esta situação se repetiu com todas as empresas produtoras.

 

*Noutra ocasião, lançou um conjunto restrito de garrafas, limitadas a uma série de 200, destinadas a trocas ou ofertas. Para o efeito utilizou o vinho da sua propriedade, rótulos mandados fazer na gráfica e as garrafas da Borges & Irmão, obtida a devida autorização da empresa para a sua utilização no mercado.

 

 

Impressões

 

Nome: Manuel Barbosa Leão

 

Idade: 68 anos (01/11/1941)

 

Naturalidade: Parada de Todeia, Paredes

 

Residência: Parada de Todeia, Paredes

 

Estado Civil: Solteiro

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Sábado, 24 de Julho de 2010

Marshmallow test

Este teste foi feito por uma empresa com muita tradição e resultados muito fiáveis.

 

Entre as crianças que superaram a tentação de comer a sobremesa, encontram-se aqueles que triunfarão na vida, superando as dificuldades e fazendo carreiras de prestígio e exigentes. Entre os que não resistiram à sobremesa, abundarão os fracassos por falta de vontade.

 

Este estudo ajuda a perceber o quanto é importante formar as crianças na fortaleza e temperança.

 

alinhado por fcrocha às 20:47
Sábado, 24 de Julho de 2010

Editorial de 23 de Julho de 2010

É um disparate. Na passada segunda-feira, tivemos o último dia das festas da cidade de Paredes, que terminaram com as “Marchas Luminosas”, uma espécie de desfile carnavalesco com uns ranchos folclóricos e uns bombos à mistura. Umas das atracções, senão a principal, é o desfile de umas senhoras que tentam sambar (mal), quase despidas, que se mexem ao ritmo de uns senhores que tentam imitar os sons das escolas de samba brasileiras. Se há coisa que ainda não percebi é o que é que as escolas de samba têm a ver com o concelho de Paredes. Eu bem sei que o concelho tem várias casas abrasileiradas, mas daí a que seja tradição o desfile das escolas de sambas vai muita distância. Tradição também não é, porque a ideia peregrina foi uma invenção de Granja da Fonseca.

 

Sem critério. Eu consigo compreender que a Câmara Municipal de Paredes tenha acabado com a Feira da Saúde para diminuir a despesa, da mesma forma que também compreendo que se tenha reduzido a Feira do Livro ao espaço do átrio do edifício da câmara municipal. Até consigo compreender que se tenha acabado com as marchas das crianças dos infantários do concelho. Só deixo de compreender todos estes cortes orçamentais quando vejo que se continua a pagar a quatro escolas de samba (isso mesmo, quatro) para desfilar num cortejo de carnaval fora de época. Se é para cortar, que se corte no que é supérfluo e, neste caso, indecente.

 

Agitação. As eleições da JSD/Penafiel, no passado sábado, foram as mais concorridas de sempre: quase 300 militantes apareceram para votar. Não me parece que toda esta mobilização seja apenas fruto da qualidade dos candidatos. Acredito que o fim do ciclo político de Alberto Santos foi a causa principal. Estas eleições deixaram ver um bocadinho do que pode vir a ser o futuro da coligação de direita em Penafiel: muita confusão. Alberto Santos chegou ao último mandato sem um sucessor declarado e vários hipotéticos candidatos. Antonino de Sousa, Mário Magalhães, Alberto Clemente, e Carlos Pinto são nomes a mais para um lugar apenas.

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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010

Santa laicidade

 A estupidez, justificada em nome da laicidade, levou a que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos entenda que um crucifixo numa sala de aulas atenta contra a liberdade de um qualquer aluno, da mesma forma que o governo francês proibiu as mulheres muçulmanas de usarem burka em lugares públicos. Tudo isto em nome do estado laico e da democracia.

 

Sou católico, nunca escondi a minha religião e tento que a minha vida esteja de acordo com a doutrina da Igreja. Isso faz com que eu respeite todas as religiões, até porque a liberdade religiosa é um direito fundamental para a pessoa humana.

 

Na verdade, não me faz diferença alguma ter um vizinho que seja muçulmano, que use barba até aos pés e a mulher ande embrulhada em tapeçaria só com os olhinhos à mostra. Não tenho nada com isso.

 

Por causa desta sã convivência democrática é que acho estúpido que se proíba crucifixos nas escolas, que não permitam que as senhoras muçulmanas se vistam a rigor, que nos queiram tornar seres produzidos em série. Não têm mais em que pensar?

alinhado por fcrocha às 12:29
Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

Falta de critério

Logo à noite, vamos ter “Marchas Luminosas” em Paredes, que é uma espécie de desfile carnavalesco, com uns ranchos folclóricos e uns bombos à mistura.

 

Uma das atracções, se não a principal, são umas senhoras – quase todas muito mal feitas – a tentar sambar (mal), quase despidas, que se mexem ao ritmo de uns grupos que se dizem escolas de samba.

 

Ainda gostava de saber se o samba, e o desfile das senhoras despidas, faz parte da tradição do concelho de Paredes.

 

Não deixa de ser curioso (para não dizer outra coisa) que Município tenha acabado com a Feira da Saúde e o desfile das crianças dos infantários por razões económicas, mas continue a financiar o desfile de várias escolas de samba.

 

Que critério mais sem critério.

alinhado por fcrocha às 17:03
Sábado, 17 de Julho de 2010

Falta de mobilidade

Numa região com bandeiras da mobilidade é bom (re)lembrar que continuam a existir imensas barreiras intransponíveis para qualquer deficiente motor, ou, pelo menos, para os que necessitam de se deslocar numa cadeira de rodas.

 

Numa região onde ainda há muito por fazer ao nível das acessibilidades para deficientes, e por mais que se fale e escreva sobre a necessidade e a importância de eliminar as barreiras físicas, que continuam a dificultar e mesmo a impedir a completa integração social dos deficientes, a câmaras municipais pouco ou nada têm feito nesse sentido.

 

As barreiras arquitectónicas são o maior obstáculo dos deficientes motores e invisuais, constituindo o motivo de muitas idas aos hospitais. Para um deficiente, um simples passeios pelas ruas da região torna-se uma aventura perigosa. Há autênticas armadilhas. Quase todos os concelhos da região têm grandes dificuldades em termos de acessibilidades a edifícios e é este problema transversal, porque as acessibilidades são importantes para as pessoas com deficiência, mas também são importantes para a população idosa, para as grávidas, para as pessoas que têm bebés e para o comum do cidadão.

 

 As barreiras arquitectónicas surgem por todo lado.

 

É urgente solucionar este problema. Gestos tão simples quotidianos como sair de casa, atravessar a rua ou entrar num edifício público podem tornar se obstáculos impossíveis de transpor. É necessário que as câmaras municipais tenham vontade política e técnica para fazer um estudo sério sobre esta matéria e avancem de forma paulatina e gradual. É importante que se caminhe de forma a resolvê-lo o mais breve possível.

 

Os cidadãos com mobilidade condicionada são pessoas normais que apenas querem consolidar a sua integração na sociedade.

 

alinhado por fcrocha às 20:45
Sexta-feira, 16 de Julho de 2010

Fim de linha

Não há mastro.  Na semana passada, neste mesmo espaço, sustentei a necessidade da Câmara de Paredes clarificar, de uma vez por todas, se ia ou não construir o mastro. Esta semana, a Câmara esclareceu: não vai construir o mastro. Embora o devesse ter feito mais cedo, era absolutamente fundamental tomar esta posição para que não se desviem as atenções sobre o que de real se passa no concelho. Numa altura destas, seria absolutamente irresponsável avançar com a construção deste monumento. Para além disso, o recuo na intenção de construir o mastro tira uma bandeira à oposição e obriga-a a fazer apresentar propostas concretas. O concelho sai a ganhar.

 

Crises directivas I. Os três principais clubes de Paredes estão sem direcção. Os três clubes realizam sucessivas assembleias de sócios, sem que apareça quem queira assumir os destinos dos clubes. Uns mais que outros, todos estão afogados em dívidas. De todos, o União de Paredes é o que tem a situação mais complexa e menos compreensivel. O clube recebe mais dinheiro que todos os outros, não tem despesas com as instalações desportivas, pois usa as instalações municipais, e ainda tem a regalia de ter um contentor, mascarado de bar, em pleno Parque José Guilherme, onde as receitas resultam para o clube. Não se compreende o acumular sucessivo de dívidas.

 

Crises directivas II. Para resolver o problema destes clubes é necessário, antes de mais, que quem de direito deixe de ser indulgente com quem fez uma gestão danosa. Só responsabilizando os dirigentes que amontoaram dívidas é possível garantir novos dirigentes dispostos a fazer uma boa gestão. Para além disso, está mais que reconhecido que o concelho não tem condições para ter três clubes desta dimensão, cada um com o seu campo de futebol, o seu estádio, as suas instalações. A solução pode passar por cada um vender as suas instalações e partilharem as municipais. Não vale a pena continuar a fingir que somos ricos, quando não temos sequer dinheiro para mandar cantar um cego.

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Sexta-feira, 09 de Julho de 2010

Tramar

É tramado. A Câmara Municipal de Paredes vai atribuir a Medalha de Ouro à ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Motivo: a aprovação da Carta Educativa. A mesma que o PS local aprovou. A mesma contra a qual o PS local luta. Ficou baralhado? Por muito que tentasse explicar a posição dos socialistas de Paredes – tarefa muitíssimo complicada –, não conseguia porque não consegui perceber a posição deles em relação a esta matéria. É porque eles não têm posição! Localmente estão contra a Carta Educativa, mas aplaudem a atitude do Governo ao aprovar a mesma. Vá-se lá entender isto. Falta saber se na hora de entregar da Medalha de Ouro à ex-ministra, o PS vai estar a aplaudir Maria de Lurdes Rodrigues ou a protestar contra a Carta Educativa. A esta quero assistir.

 

Vai tramá-lo. Estamos a três meses do dia do Centenário da República. Por esta altura estava prevista a inauguração em Paredes de um mastro com cem metros de altura. A apresentação da intenção da Câmara Municipal de Paredes gerou polémica a nível nacional, mas até hoje ninguém sabe ao certo se vai ser construído, ou não, o mastro. Sabe-se agora que já foi lançado um concurso público. Parece-me que a Câmara Municipal há muito que deveria ter dito se vai construir, se vai reflectir, ponderar, alterar ou esquecer a construção do mastro. Esclarecer a sua posição contribui para o fim da polémica. O povo não convive bem com o nevoeiro.

 

Ana Paula Rodrigues. Foi colunista da secção “Olhar (Im)Parcial, em representação do PS/Paredes. Escreveu enquanto a doença o permitiu. A mesma doença que lhe roubou a vida na semana passada. Ana Paula Rodrigues discordou de mim várias vezes, fez até questão de dizer isso em alguns dos seus artigos, mas fê-lo sempre com elegância e educação. Deu o seu contributo – e não foi pouco – para pluralidade de opinião. Ana Paula Rodrigues foi uma mulher corajosa e frontal. Manifesto o meu mais profundo pesar pela sua morte e endosso à sua família sentidas condolências.

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Quarta-feira, 07 de Julho de 2010

As chamas do lucro

O país está de novo a arder mas, apesar das condições climatéricas e o desordenamento florestal serem propícios aos incêndios, sabemos que por trás da maioria dos fogos está uma mão criminosa. O que a move? Será que a motivação de tanta destruição é o lucro? Será que vamos ter, em breve, Portugal de novo em cinzas apenas devido à eterna ganância gerada pelo vil metal?

 

O jornalista José Gomes Ferreira escreveu, há uns cinco anos, um artigo intitulado “A indústria dos incêndios” onde garante que “há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada”. Um artigo corajoso, que põe o dedo numa ferida sobre a qual poucos querem falar, onde são apresentadas várias questões incómodas sobre a realidade dos incêndios, ao que se segue uma série de propostas do que o Estado podia – e devia – fazer, com as quais estou totalmente de acordo.

 

Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países da orla mediterrânica?

 

Porque é que os testemunhos populares sobre o inicio de incêndios em várias frentes após uma passagem de aeronaves continuam sem investigação, após tantos anos de ocorrências?

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Quinta-feira, 01 de Julho de 2010

Anestesia geral

O anterior presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa afirmou, várias vezes, que o encerramento de alguns SAP e da urgência do hospital de Amarante contribuíram para o congestionamento da urgência do Hospital Padre Américo. Ou seja, a urgência deste hospital recebe agora os doentes de Amarante e dos SAP entretanto encerrados. Não deve ser tarefa fácil organizar as urgências hospitalares quando fecham os Serviços de Atendimento Permanente dos centros de saúde. Se os utentes não têm outro local para se dirigir, aos primeiros sintomas de uma qualquer doença vão recorrer às urgências, congestionando ainda mais aqueles serviços e aumentando o tempo de espera.

 

A cidade de Paredes também já teve um SAP que, entretanto, foi encerrado. Desta vez é o Serviço de Atendimento de Situações Urgentes (SASU) do centro de saúde de Paredes que vai ter horário ainda mais reduzido e – mais dia, menos dia – encerra. O encerramento do SASU vai sobrecarregar, ainda mais, a urgência do hospital. É lamentável que o Ministério da Saúde retire serviços às populações, sem lhes dar alternativa e tentando fazer-lhes crer que a retirada de serviços médicos melhora o seu acesso aos cuidados de saúde.

 

Fechar a porta de entrada no sistema de saúde é socialmente injusto, tecnicamente insensato e moralmente absurdo. Os resultados financeiros podem ser os melhores, mas serão conseguidos à custa do sofrimento dos doentes. Prometem-nos mais rapidez, mais qualidade, mais segurança para iludir a compulsão pelos cortes cegos, pela poupança forçada a qualquer preço. Tem razão a Ordem dos Médicos quando diz que “desafortunadamente, os portugueses têm razões de sobra para estar verdadeiramente preocupados com uma política de saúde que desagrega o Serviço Nacional de Saúde e privilegia os encerramentos”.

 

Dos políticos locais – poder e oposição – nem uma palavra. Está tudo anestesiado.

alinhado por fcrocha às 19:34

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