Sábado, 22 de Maio de 2010

Não vale a pena enganar

Há muito que se diz que os jornais perdem leitores em todo o mundo. Tentam-se encontrar os vilões para o fenómeno e argumenta-se que os jovens lêem cada vez menos. Se lêem cada vez menos como se explica o sucesso das aventuras de “Harry Potter” ou do “Senhor dos Anéis”? Ou seja, afinal os jovens lêem, mas fogem dos jornais.

 

Mas se até a chamada elite está desencantada com os jornais, o que se passa?

 

Alguns jornais, equivocamente, pensam que são meios de comunicação em massa, mas não são. E não vale a pena distribuir jornais gratuitamente nos supermercados ou estações de comboio, pois isso nunca fará deles jornais lidos. Quando muito pode transformá-los em títulos conhecidos, mas nunca os mais lidos, muito menos fiáveis e de qualidade.

 

A revista Maria é mais credível que o semanário Expresso?

 

Dou-lhe alguns exemplos. Os gratuitos “Destak” e “Metro” distribuem diariamente mais 85 mil jornais que o “Jornal de Noticias” e mais 132 mil que o “Público”. Acredita que algum destes gratuitos é mais lido do que estes dois pagos?

 

Outro exemplo. A revista “TV 7 dias” vende todas as semanas mais 61 mil exemplares que a revista “Visão”. A revista “Nova Gente” vende mais 76 mil que a “Sábado”. Acredita que as primeiras possam ter mais credibilidade que as segundas?

 

Vale a pena estar atento a mais este exemplo. O título de imprensa mais lido em Portugal é, espante-se, a revista “Maria” que vende, semanalmente, mais exemplares do que os jornais “Expresso”, “Público” e “Sol” juntos. Acredita na credibilidade desta revista? Acredita que a revista “Maria” é mais credível que qualquer um dos outros títulos?

 

BAREME/MARKTEST- 2010

 

Mas porque é que me lembrei hoje de falar deste assunto? Já lhe explico.

 

Esta semana, foi publicado o novo Bareme/Marktest que analisa alguns títulos da impressa regional. A propósito deste estudo, o jornal gratuito “Fórum do Vale do Sousa” publicou uma notícia afirmando-se como “o jornal de referência com os números mais sólidos”, acrescentando que isso acontece desde 2007. Será verdade? Vamos analisar o estudo.

 

Não duvido, nem um bocadinho, que o “Fórum” tenha mais notoriedade que o VERDADEIRO OLHAR, afinal, um é um jornal gratuito com umas caixas nos supermercados, centros comerciais e estações de comboio, enquanto o VERDADEIRO OLHAR é um semanário pago e à venda apenas todas as 75 bancas da região. Mas uma coisa é falar de notoriedade, outra é de leitores.

 

O que eles não disseram

 

No que se refere a notoriedade, o “Fórum” esqueceu-se de referir o dado mais importante do estudo: É o jornal regional do Vale do Sousa que mais notoriedade perdeu desde 2007.

 

Em 2008, o mesmo estudo atribuía ao jornal “Fórum” uma audiência de 1,4; em 2009 baixou para 1,1; e em 2010 não passa dos 0,9. Ou seja, em apenas três anos o “Fórum” perdeu 64% da sua notoriedade.

 

Desde 2007 que o “Fórum” perde audiências, ano que coincide com o aparecimento do VERDADEIRO OLHAR.

 

O jornal VERDADEIRO OLHAR participa pela primeira vez no Bareme de 2010 e, mesmo sendo um título pago, alcança de imediato 0,7 de notoriedade, conseguindo ser um dos únicos cinco títulos do distrito do Porto onde é possível traçar o perfil dos leitores.

 

O estudo não analisa audiência por concelhos

 

Mas o abuso na análise do Bareme por parte do “Fórum do Vale do Sousa” não fica por aqui. Diz o mesmo gratuito que “o Fórum garante uma presença mais equilibrada pelos vários concelhos do Vale do Sousa”, e ainda que “tem uma presença forte junto das classes alta e média-alta”.

 

Antes de mais, convém esclarecer que o estudo da Marktest não analise as audiências por concelho, mas sim por distrito. Assim, é impossível afirmar que o jornal A ou B tem uma maior ou menor presença em qualquer um dos concelhos. Dizer que garante uma presença mais equilibrada na região é, no mínimo, um abuso.

 

Mais de 50% dos leitores do VERDADEIRO OLHAR são da classe alta e média-alta

 

O outro dado falacioso das afirmações daquele jornal é o das classes sociais. O Bareme diz que 40% dos leitores do “Fórum” são da classe alta ou média-alta, enquanto no VERDADEIRO OLHAR os leitores de classe alta e média-alta representam 50,1%.

 

Para complementar, e segundo o mesmo estudo, interessa realçar que o Bareme da Marktest afirma que o VERDADEIRO OLHAR é o jornal do distrito do Porto com a maior percentagem de leitores com formação superior e mais qualificados.

 

O jornal VERDADEIRO OLHAR só perde para o “Fórum” nos leitores menos qualificados. De facto, o estudo regista que 8,4% dos leitores daquele jornal são domésticas, enquanto no VERDADEIRO OLHAR eles não existem.

 

Este estudo mostra que o caminho do VERDADEIRO OLHAR é o correcto. Eu acredito que os jornais de sucesso são aqueles que sabem que o seu público, independentemente da faixa etária, é constituído por uma elite numerosa, cada vez mais órfã de produtos de qualidade. Uma elite que quer qualidade informativa: o texto elegante, a matéria aprofundada, uma análise que ajude, efectivamente, a tomar decisões.

alinhado por fcrocha às 17:00

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