Quarta-feira, 30 de Outubro de 2013

Uma questão de educação.

 

Eu não tenho saudades do passado, costumo pensar no futuro e pouco no que ficou para trás. Mas, mesmo assim, recordo-me de que, no passado, me ensinaram a tratar com respeito os meus pais, os meus professores, os mais velhos, os superiores hierárquicos e os governantes. Fiquei com a ideia de que, no passado, isto fazia parte da educação.

 

Vem isto a propósito dos insultos públicos que são feitos aos governantes e maciçamente divulgados pelas televisões e jornais nacionais. O mais estranho disto tudo é que este tipo de conversas, próprio de quem já não tem vergonha, não é feita por desgraçados que não tiveram pai nem mãe. Não, é por uns sujeitos engravatados que já tiveram responsabilidades governativas, supostamente pessoas educadas.

 

Também não me refiro às polémicas declarações do Dr. Mário Soares. Porque, neste caso, a culpa não é dele, é do filho dele. O Dr. Mário Soares tem quase 89 anos e, infelizmente, nem todos têm a felicidade de chegar a essa idade com a consciência de tudo o que dizem. A culpa é do filho, porque é obrigação de um filho olhar por um pai na velhice. Neste caso, não o deixando exposto aos jornalistas que não têm respeito por ele nem pelo cargo de Presidente da Republica que já exerceu.

 

Refiro-me, por exemplo, à entrevista que José Sócrates deu ao “Expresso”, na qual atribuiu predicados pejorativos a tudo e a todos, menos a ele próprio, claro está! Usou do calão mais rude que já se viu em jornais ditos de referência. Disse que um dos seus opositores é “um merdas”, que toda a direita é “uma cambada de filhos da mãe” e que um ministro alemão é “um canalha”. Toda a entrevista está polvilhada com expressões como “gajos”, “tipos”, “pulhas”, só para dar alguns exemplos.

 

Não se estará a ultrapassar uma fronteira perigosa? É que, quando os adversários políticos deixam de ser os que têm ideias distintas das nossas, passamos a ter como medida o ódio pessoal. Não se pode permitir que, em nome dos pequenos interesses pessoais, se ultrapassem os limites do debate democrático.

 

Voltando ao início deste texto, no passado, isto resumia-se à falta de chá que deviam ter tomado em pequeninos.

alinhado por fcrocha às 09:31

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