Sexta-feira, 01 de Março de 2013

Na cama com…

O humorista americano Charles Dudley Warner, em pleno seculo XIX, escreveu uma das verdades permanentes da política: “A política cria estranhos companheiros de cama”. A expressão refere-se àquelas situações em que, para espanto de todos, opositores de ontem, por razões de interesse político, se unem para lutar por um objectivo comum. Esta união não tem que ver com aqueles momentos críticos da história em que se impõe a união para garantir a sobrevivência de uma comunidade.

 

A expressão “companheiros de cama” aplica-se àqueles que até há pouco eram adversários e que encontram forte interesse comum, muitas vezes de conveniência, capaz de gerar tal intimidade. Na maioria das vezes, isso acontece para atrair para as suas fileiras quem então foi adversário.

 

Quase sempre, estas “jogadas” geram desconfiança entre os eleitores e, num primeiro momento, tendem a ser desfavoráveis às duas partes envolvidas. A maioria não compreende como é que duas pessoas que disseram mal uma da outra publicamente aparecem, de um dia para o outro, de mãos dadas e a sorrir. Parece a prova suprema da dissimulação.

 

Eu defendo uma dinâmica política que seja capaz de superar as hostilidades passadas e olhar o futuro. Na vida, tudo muda, e permanecer agarrado ao passado é um sinal de decadência. Por isso, é natural que as pessoas façam alianças com antigos adversários. Mas outra coisa, bem diferente, são os pactos instrumentalizados por interesses pessoais.

 

Vem tudo isto a propósito das eleições autárquicas de Outubro e da constituição das listas que vão sendo conhecidas um pouco por toda a região. Olhando para alguns dos nomes que vão sendo conhecidos para fazer parte das candidaturas de um ou outro partido, fico com a ideia de que alguns dos intervenientes ficaram amigos porque partilham da ideia de destruição de um inimigo comum. O facto de partilharem um inimigo não faz deles amigos e é uma atitude ingénua: um estará interessado em vencer o adversário e o outro estará interessado em destruir pessoalmente o inimigo.

 

Por isso, parece-me que há quem se esteja a deitar com estranhos na mesma cama.

alinhado por fcrocha às 17:09
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