Sábado, 23 de Fevereiro de 2013

Anarquia!

No século XVIII, o francês Voltaire, conhecido pelos seus ensaios sobre a defesa das liberdades civis, escreveu o seguinte: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você diz, mas defenderei até à morte o seu direito a dizê-las”. Vem isto a propósito das radicais manifestações contra Miguel Relvas.

 

Já aqui escrevi que pessoalmente não gosto de Miguel Relvas. Para além de discordar dele quanto à forma como efectuou a reforma administrativa e quanto à maneira atabalhoada como geriu o processo de privatização da RTP, ele representa para mim o que há de pior na política partidária: ele representa os que fizeram uma carreira política a partir das juventudes partidárias sem nunca terem trabalhado, os que governam sem conhecer o país real, ou até os que usam títulos académicos sem terem adquirido as necessárias competências. Parece-me mesmo que, para facilitar a governação, ele deveria ser demitido.

 

No entanto, todas estas minhas razões não me podem fazer esquecer que este senhor é ministro de um Governo democraticamente eleito pela maioria da população do meu país. Isso, por si só, faz com que tenha por ele o respeito que a boa educação manda ter pelos governantes legítimos.

 

Eu não defendo que ele não possa ser criticado – claro que pode e deve ser criticado, é uma das consequências da liberdade. O que não pode é ser impedido de falar à força, por um grupo radical aos gritos e com cartazes na mão. Impedir um ministro de discursar numa cerimónia para a qual foi convidado não é democrático – é censura ao direito da livre opinião.

 

Desagrada-me imenso ver um ministro a ser insultado e impedido de falar. Aborrece-me que tudo isto tenha acontecido numa universidade, que é, por excelência, um lugar de liberdade. Choca-me que grande parte da imprensa nacional tenha reportado de forma “simpática” o incidente, esquecendo-se de que os jornalistas deveriam ser os primeiros a defender a liberdade de expressão.

 

O que se passou no ISCTE foi censura, foi desrespeito pela liberdade de expressão e, acima de tudo, foi falta de educação.

 

Não podemos fechar os olhos a esta intolerância.  

alinhado por fcrocha às 10:42

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